Para se adequar à queda no número de associados, diminuir gastos com a operação do Mineirão e conseguir agrupar todas suas torcidas organizadas num só setor, o Cruzeiro realizou mudanças no programa Sócio do Futebol. A direção de marketing extinguiu duas modalidades: Supercopa, antes alocada no Superior Laranja e Recopa, cujos torcedores assistiam aos jogos no Inferior Laranja. Os associados desses planos, cerca de 600, foram migrados para as categorias Brasileiro e Copa do Brasil – Superior e Inferior Amarelo, respectivamente.

Durante uma entrevista, o diretor de marketing do Cruzeiro, Marcone Barbosa afirmou:

“Estamos fazendo uma campanha, junto às organizadas, e colocando todas elas num mesmo setor. É um grande projeto do Cruzeiro e temos a intenção de fazer ali, no Amarelo, um setor de organizadas. Lá, como a gente já vem testando, passa a ser o setor do papel picado, das bandeiras, como as organizadas gostam. Chamamos esse espaço de “Muralha Azul”

“O que a gente percebeu é que os sócios que tínhamos no Laranja, quase a totalidade, cerca de 95%, eram membros de organizadas. Com a baixa expectativa de público nos jogos, o Setor Laranja não vai ser mais aberto. Não faz sentido ter sócio ali se todos os ingressos do Amarelo não são comercializados. Por isso, migramos tudo do Laranja para o Amarelo”, explicou.

Retirada de arquibancadas

Além da união das organizadas no Mineirão, o Cruzeiro não descarta fazer ainda mais mudanças no setor Amarelo. Embora ainda não exista um projeto, o clube estuda a possibilidade de retirar as cadeiras nesse espaço. Já existem algumas tratativas entre clube e Minas Arena, operadora do estádio, mas é pouco provável que a alteração aconteça ainda na gestão de Gilvan de Pinho Tavares, que deixa a presidência do Cruzeiro no fim do ano.

“Essa notícia circulou como se o Cruzeiro já tivesse acordo com a Minas Arena. Na verdade não é isso. Participei de um seminário que discutia o novo perfil do torcedor. Argumentei que muitas coisas do ‘Padrão Fifa’ trouxeram benefício ao futebol, mas algumas não se aplicam ao nosso cotidiano. O Mineirão, por exemplo, tem duas entradas com o ‘Padrão Fifa’. Nos jogos do Cruzeiro contra equipes de fora de Minas Gerais, é só uma entrada para a torcida do Cruzeiro. A outra tem que ser dedicada ao torcedor visitante. Esse ‘´Padrão Fifa’ de acesso não faz muito sentido para o nosso cotidiano. E outro exemplo que usei foram as cadeiras. Em alguns estádios, como os de Grêmio e Corinthians, eles removeram os assentos, porque têm demanda para um espaço sem cadeira. No Mineirão, nós conversamos com a Minas Arena sobre esse tema, mas numa ação informal, ainda não há projeto. É algo que pode ser pensado, mas não quer dizer que o Cruzeiro vai fazer” disse Marcone.