Diferentemente de outras ligas mundo afora, o futebol brasileiro tem algo que podemos chamar de imprevisibilidade. Pode acontecer de grandes campeões caírem para a segundona (tipo Grêmio ou Inter) ou de clubes que conquistaram o título em determinado ano lutarem desesperadamente pela permanência na Série A no ano seguinte.

Você já deve ter ouvido pelo menos uma vez na vida, aquele velho e batido jargão próprio do futebol brasileiro. Pois aqui no Brasil, o futebol é cíclico mesmo é a única certeza é que não se tem certeza de nada, exceto pelo fato de que o Cruzeiro é ‘incaível’.

Apesar disso, o Cruzeiro também sofre com essas flutuações abruptas como qualquer outro clube brasileiro. Não faz três anos, estávamos comemorando o nosso tetra esbanjando um futebol de sonho, para logo em seguida vivermos um verdadeiro pesadelo com nosso time lutando para não cair.

Os começos de 2015 e 2016 foram uma amostra daquilo que nos esperaria ao longo dessas duas temporadas. Experimentos, novatos, decisões equivocadas, contratações bizarras e eliminações precoces foram a tônica de um futebol pífio e sofrido que fizeram muito torcedor cair na bronca e abandonar o programa de sócio-torcedor.

Era nítida a péssima qualidade apresentada por jogadores de técnica duvidosa, e os resultados em campo refletiam bem aquela nefasta realidade.

2017, no entanto, se apresenta diferente. O futebol está mais consistente, coeso e compacto. O jogo flui com mais naturalidade e os jogadores se encontram em campo. Com a base mantida e a permanência do Mano, o time está mais entrosado e apresentando esquemas sólidos e convincentes.

Jogadores que necessitavam de um certo amadurecimento, parecem ter encontrando, hoje, um ponto de equilíbrio ideal. Arrascaeta vem deitando e rolando, fazendo aquilo que a torcida esperava desde sua chegada à Toca, em 2015.

Robinho vem comandando as manobras de ataque como um verdadeiro maestro, dando assistências e marcando gols. Sóbis parece ter encontrado seu lugar no time e agora não fica tão recuado como no ano passado.

No banco também temos ótimos jogadores com grande poder de decisão. E ainda vale abrir um parênteses para falar de Ábila, atacante raiz que dispensa qualquer apresentação. A cada 3 chutes pode ter certeza que guarda pelo menos 1 gol. O maior argentino jogando em solo brasileiro, sem sombra de dúvida. E quem questiona é clubista. Ou tem algum atleticano que discorda?

E o que dizer dos reforços? Diogo Barbosa, Caicedo, Thiago Neves… acho que dessa vez Gilvan acertou a boa. Críticas, quando justas, tem que ser feitas. Mas hoje o homem está de parabéns.

 

E eu nem citei os que voltaram ou estão voltado do Departamento Medico: Mayke, Judivan, Dedé… eita!

Com a classificação de quarta-feira para a próxima fase da Copa do Brasil, esbanjando toque de bola a la Cruzeiro 2013, o time coleciona sua sexta vitória em seis jogos. Sua última vítima foi o Volta Redonda, algoz do Vasco e tido como time sensação pela imprensa do eixo. No histórico de duelos consta outro 2×1, justamente em 2013…

 

Não, não quero me iludir. Mas uma dúvida pertinente martela em minha cabeça: como ficariam duas tríplices coroas no escudo?

Fonte: ESPN (Saluti Celesti)