Cruzeiro discute e mantém conversas com a administradora Minas Arena para a retirada de parte das cadeiras do Mineirão. Segundo o diretor de marketing celeste Marcone Barbosa, existe a necessidade de se refletir sobre o que deve ser aproveitado do chamado “padrão Fifa” que ficou da Copa do Mundo de 2014 para o torcedor local.

“É perfeitamente possível você ter setores que acomodem públicos que têm poder aquisitivo menor e outro com um público com anseio diferente, uma condição de pagar mais pelo espetáculo e com demandas diferentes também. A concepção dos novos estádios passou muito pelo ‘padrão Fifa’. E hoje estamos num momento talvez de transformação, ou melhor, de adequação do que do ‘padrão Fifa’ serve para o dia a dia e do que não se aplica”, analisou Marcone.

“Por exemplo, a retirada de cadeira de alguns setores, né? Isso aconteceu em São Paulo, no Rio Grande do Sul e deve acontecer também em Belo Horizonte”, prosseguiu.

“A gente tem discutido, iniciado uma conversa com o administrador do Mineirão para fazer isso no estádio porque a gente percebe que o torcedor tem um comportamento diferente”, completou.

Relembre coisas que só quem foi ao Mineirão antigo sabe como era.

1- O verdadeiro TROPEIRÃO

Nenhum estádio no mundo tem uma comida tão peculiar quanto o tropeiro do Mineirão. Por mais que a FIFA tenha metido a mão no nosso patrimônio, quem frequentou o estádio antes da reforma se lembra com carinho do prato com arroz, couve, ovo, bife, torresmos crocantes e o suculento feijão tropeiro. Não importava ter que partir o bife com uma colher, sem falar nas vezes em que ele era surrupiado em algum momento de distração. Jogo sem tropeiro nunca foi a mesma coisa.

2- Cervejas carregada por atacado

Carregar dez copos de cerveja de uma só vez pode parecer tarefa impossível, mas nada que a paixão pelo time do coração não permita. Poucas cenas são tão clássicas no Mineirão antigo quanto os torcedores carregando 10 copos de plástico, com um dedo enfiado dentro de cada, do bar até a arquibancada. Havia até quem levasse 11 copos, prendendo o último entre os dentes. O único “problema” era o time marcar um gol nesse trajeto.

3- Arquibancada balançando

Não é lenda. Quem foi ao Mineirão antes do fim da década de 90, em algum jogo cheio, sentiu o concreto chacoalhar no embalo da torcida. Ainda nos anos 90, foram instalados pilastras amortecedoras, para amenizar o efeito, que ficou só na memória do torcedor.

4- Bandeirões

Parte marcante do espetáculo eram também os bandeirões, que cobriam boa parte da arquibancada. Ficar debaixo dele ou vê-lo subir de longe, de mão em mão, era uma emoção especial no estádio.

5- Sinalizadores e foguetes

Jogos noturnos tinham um colorido especial na arquibancada. Infelizmente, a ação irresponsável de alguns pôs fim a festa pirotécnica nas arquibancadas. PIROTECNIA NÃO É CRIME!

6- Clássico com torcida meio a meio

No Novo Mineirão isso aconteceu apenas duas vezes. Mas antigamente era regra: se tinha clássico, as duas torcidas dividiam o estádio (ainda que, dependendo da fase, alguma delas comparecesse em maioria, o que apimentava ainda mais a rivalidade).

7- Portões numerados

Atleticanos esgotavam as entradas ‘9 e 12’ em instantes para jogos importantes. O mesmo acontecia com as de ‘3 e 6’, pelo lado azul. Quem gostava de ver o jogo no meio do campo procurava pelo 7A. Assim eram numerados os portões do Mineirão, de 1 a 14. Os números deram lugar a letras e cores, que até hoje não foram muito bem decorados pelas torcidas.

8- Título celebrado no gramado… pela torcida!

Hoje seria tudo mais fácil, já que o fosso de ”segurança” não existe mais. No entanto, os padrões FIFA não permitem que ninguém passe das cadeiras para dentro do gramado, nem no momento máximo de glória do time. Antigamente também não deveria poder, mas era garantido: soava o apito final do campeonato e lá ia a turma da geral festejar junto com os ídolos.
 9- A geral
Talvez o símbolo maior do Mineirão antigo. Dela não sobrou nem resquício depois da reforma para a Copa. A Geral merecia um estudo antropológico. Ali todo mundo era igual, bastava ter algumas moedas, que o ingresso era realidade. A visibilidade prejudicada, inexistente abaixo da linha de cintura dos jogadores, a chuva ou o sol implacáveis, assim como toda a sorte de objetos arremessados por quem estava na arquibancada, sempre o mais próximo da emoção que a bola proporcionava.